sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Esperança e conhecimento! Salve 2009


Antes de mais nada quero me desculpar pelo longo tempo sem escrever nesse nosso espaço de discussão. Além das férias merecidas a todos, me faltou inspiração e até disciplina, razão pela qual venho reiterar minhas desculpas.

Mas, o ano de 2009 está em nossas vidas e com ele novos ânimos, novas perspectivas e acima de tudo novas esperanças. E estas, as esperanças, devemos sempre cultivar, pois se ela é a que morre por último, quando desistirmos de cultivá-las, desistirmos de buscá-las o que nos sobrará?
A esperança é como nossas metas, sem elas não caminhamos, é muitas vezes uma utopia, e alguns poderão dizer que utopias são inalcançáveis, e eu poderei até concordar, mas não sem antes trazer as palavras de Eduardo Galeano:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Assim vamos nos abastecer de esperanças pela paz e pelo amor para que nunca deixemos de caminhar, pois com certeza de tanta insistência encontraremos nosso destino, nossa iluminação e assim a verdadeira felicidade.

Este é o espírito que quero manter em 2009, e quero compartilhá-lo com todos, afinal este ano nasce na regência de Oxossi, nasce com vontade de conhecimento, com caminhos iluminados para que todos nós possamos encontrar nosso caminho. Um ano que nos traz a certeza de que devemos insistentemente buscar nossa iluminação, e buscar o despertar de nossos irmãos, encarnados ou desencarnados, pois o Orixá caçador irá buscar com sua flecha certeira, nossos espíritos para que caminhemos na luz.

Que Oxossi ilumine todo nosso planeta e derrame sobre nós suas bênçãos para que que nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações nunca saiam do caminho da caridade, da fé e assim do amor verdadeiro.

Saravá a todos!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pecado, não! – Umbanda – uma fé que liberta


Muitos de nós tivemos uma educação que embutia em nossa mente, em nosso inconsciente, até, a culpa, a necessidade de punição, de auto-flagelo, de penitência, diante dos pecados. Ou seja, quando errarmos, cometermos equívocos, para o perdão divino devemos nos penitenciar, algumas vezes nos torturar, procurar infringir em nosso corpo e em nossa mente flagelos e dores.

Este pensamento faz com que muitas vezes ao invés de procurarmos corrigir nossas deficiências, acabamos por nos jogar mais para baixo, afinal somos pecadores e devemos sofrer para pagar os nosso pecados.

Na Umbanda isto não pode prosperar. “Não existe pecado no lado de baixo do equador”, já dizia Chico Buarque de Holanda. O pecado traz a nossa mente a penitência. E isto não é o que a Umbanda prega ou busca.

A Lei de ação e reação, ou lei kármica, pregada pela nossa Umbanda faz com que busquemos resolver nossos erros corrigindo-os e não nos punindo. O que isto quer dizer? Que diante da constatação de um erro, de um ato de agressão ao próximo, de um ato de agressão à natureza, de um ato de egoísmo, de vaidade, de orgulho, etc., não devemos nos culpar e nos penitenciar, pois isto só trará mais sofrimento.

Primeiro devemos agradecer por termos conseguido enxergar o erro, pois muitos passam despercebidos. Depois devemos analisar o erro e ver se podemos imediatamente corrigi-lo, pedir desculpas ao agredido, sanar as conseqüências. Quando isto é impossível, ou ainda não temos as condições emocionais e mentais para tanto, devemos pedir para que uma situação semelhante aconteça no futuro para conseguirmos vencê-la, e assim superar este desafio proposto pelo astral.

Mas, independente disto podemos imediatamente rezar, orar, refletir sobre o ocorrido, contemplar o erro para que com ele aprendamos. Compreender o que nos fez errar nos ajudará a não errar de novo, pois conheceremos este adversário melhor.

Dando continuidade a estes passos, devemos procurar agir de forma caridosa, com amor, promovendo ações, palavras e pensamentos positivos e altruístas, pois isto criará campo energético positivo em nossa volta ajudando a nossa compreensão e nos libertando das energias deletérias provocadas pelos acessos de raiva, ódio, orgulho, etc..

Em nenhum momento devemos nos aborrecer, nos culpar, nos jogar para baixo, ajoelhar no milho, ou adotar uma chibata para nos flagelar. Muito pelo contrário, devemos elevar ao máximo nosso pensamento, buscar a ajuda dos Orixás para nós e para todos os atingidos pelos nossos erros. E isso sem nenhuma culpa.

Se conseguirmos fazer isto de verdade, e formos nos libertando da culpa será um grande passo para deixarmos nossa vida mais leve e alegre. Se conseguirmos contemplar o erro e solucioná-lo, com certeza estaremos gerando muito karma positivo o que nos acenderá, em muito, na evolução de nossa alma, de nosso espírito.

Vamos quebrar os grilhões da culpa, vamos destruir a corrente da penitência, vamos libertar nosso espírito para que possamos construir um mundo cheio de Luz, Amor e Paz.

Saravá a todos!

PS. O Pai Tobias de Guiné sempre me diz que o maior cativeiro que existe é o cativeiro da alma. E o maior feitor de todos que ele conhece é a culpa. Por isso sempre me falou que substituir a culpa pela ação positiva, pelo amor é a maneira de sair do cativeiro da alma. Mas que o fato de não existir culpa, não deve ser confundido com não buscar o amor e a correção de nossos erros. Não ter culpa significa não lamentar pelo ocorrido, e sim agir pra que ele nunca mais acontece e desta forma apagar de vez o feitor de nosso espírito. Vamos renovar nossa mente, nossa alma, orar e vigiar, para que o amor seja a palavra de ordem de nossas vidas. Saravá o Pai Tobias de Guiné, Saravá a todos os Pretos e Pretas – Velhas da Umbanda. Babaê!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O desenvolvimento mediúnico - I


Como já abordamos algumas vezes em nosso site, a mediunidade é um tema que sempre nos traz dúvidas e curiosidades. Entre seus diversos apontamentos e nuances um dos pontos que mais suscita este caloroso debate é o desenvolvimento mediúnico.

Primeiro é preciso ressaltar o que diversas vezes falamos sobre qualidade mediúnica. O melhor médium é aquele mais moralizado, aquele que vigia mais suas emoções, que consegue exercer um amor incondicional a todas as criaturas. Ou seja, para nos tornarmos melhores médiuns, é imprescindível uma reforma moral em nossas vidas.

Independente da afirmação anterior, existem algumas formas e procedimentos que facilitam o médium em suas incorporações e em seus trabalhos.

Para isso precisamos entender que a mediunidade sempre envolve nossa alma, nossa mente, sendo que o nosso corpo só se envolve após os dois primeiros momentos. Assim precisamos elevar nossos pensamentos, nossa vibração para facilitar o intercâmbio mediúnico.

Não é a toa que os médiuns de Umbanda, 24 horas antes de seus trabalhos, abstêm-se de uma série de alimentos e atividades. O objetivo é zelarmos para que o nosso corpo esteja o mais puro possível.

Seguindo a nossa preparação, momentos antes de nossas giras, devemos zelar para que nossos pensamentos, nossa mente, estejam mais calmos possíveis. Diante disto, é importante deixarmos nossos problemas para o momento das consultas ou dos passes, o restante do tempo devemos nos doar, “sacrificando” o nosso eu, em prol de todos os presentes.

Iniciando a gira é preciso que o médium se envolva com o ritual. Acompanhe os pontos, cante com emoção, para que a mente entre neste ritmo. Ou seja, o ritual disciplina a nossa mente facilitando que nossas mentes deixem nossas questões individuais, nossos problemas pessoais de lado, e canaliza as nossas energias para um ponto em comum fortalecendo o congá e a magia da casa, ao mesmo tempo que facilita o trabalho mediúnico.

Acreditar que o início da gira não é importante, deixar os pensamentos voando, ou ficar chegando sempre atrasado não ajudam este processo tão caro e importante para os médiuns.

Disciplinado com o ritual, com nossa preparação em dia, iniciam-se os pontos que permitem as incorporações. “O que fazer agora?” Fico parado esperando alguém me tomar?” “Como vou saber se estou incorporando, se a entidade está se aproximando?” “Sinto a presença, sinto a energia o que faço?”

Primeiro vamos lembrar do início do texto, a incorporação passa pela nossa mente e pela nossa alma. Isto é, precisamos auxiliar nossa mente neste processo. Entoam-se pontos para Oxossi, cantando deixemos nossa mente caminhar pelas matas, florestas e bosques, vamos em busca da mata astral, trazendo esta energia para o conga, e ao mesmo tempo elevarmos nossa mente, nosso padrão vibratório, aproximando nossa alma de nossos guias, facilitando a incorporação. O mesmo devemos fazer com Xangô, montanhas, serras, cachoeiras cheias de pedras, grandes pedreiras. Yemanjá, o mar, praias, oceano, encosta marítima. Oxum, rios, cachoeiras cheias de flores. Etc.

Se a pessoa tem muita dificuldade em levar a mente até os sítios da natureza e assim aos sítios dos Orixás, pode proceder de uma outra forma: cantando, entoando os pontos cantados, deixar a mente rezando, orando para todos os presentes, pedindo para que os Orixás abençoem todos os espíritos ali presentes. Esta prática também eleva a mente facilitando as incorporações.

Por outro lado, permitir que a mente fique julgando o irmão de corrente, analisando roupas, acessórios, cabelo, ou qualquer outra coisa, deixar a mente divagando em seus problemas irá desfavorecer as incorporações além de dificultar o trabalho da casa.

Este é o primeiro texto a este respeito, vamos trazer outros textos para que possamos ajudar a nossa mente, facilitando nossa caminhada neste seara, a seara mediúnica.

Muito AXÉ, Muita Luz para todos. Muita responsabilidade e compromisso, mediunidade e Umbanda são coisas sérias, muito sérias, mas isso não quer dizer tristes. Fazer nosso trabalho com alegria, isso é imprescindível, mas nunca confundir esta alegria com irresponsabilidade. Saravá!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O uso do álcoo - Fundamentos da Umbanda - VI


Uma das coisas que faz com que muitos tenham preconceito e até aversão a Umbanda é a utilização de bebidas alcoólicas pelas entidades. Antes de explicarmos a razão e os mistérios desse fundamento, vamos fazer um paralelo com outras religiões.

Qual foi um dos milagres de Jesus Cristo, a água transformada em vinho. Na Igreja Católica Apostólica Romana e nas Católicas Ortodoxas no sacramento da eucaristia o pão representa a carne de Cristo e o Vinho representa o sangue de Cristo, em uma ação que remete à última ceia, demonstrando a união de todos, a comunhão dos fiéis com o filho de Deus.

Em muitas religiões da África o vinho de palma, entre outras bebidas com teor alcoólico, são néctares das divindades. Os Gregos possuíam uma divindade para o Vinho, Baco. Em religiões e cultos xamânicos e ameríndios, em situações determinadas muitos pajés, fazem uso de bebidas com características semelhantes às alcoolizadas.

Enfim, diversas são as religiões que se utilizam da bebida alcoólica como um de seus fundamentos.

Na Umbanda não é diferente, o álcool tem um significado e uma utilização clara e com muito fundamento.

O álcool representa em si mesmo a essência dos elementos: é líquido, veio da terra (cana), pega fogo e é extremamente volátil. É da própria constituição que se assemelha ao éter, e assim à passagem do plano material para o etéreo.

Não só do ponto de vista magístico, mas de outros pontos de vista existe a razão da utilização desse elemento. Comprovadamente é um anti-séptico, ou seja, limpa e desinfeta regiões. É utilizado como desinfetante. Junto com a água serve como excelente diluidor. O álcool 70 (álcool a 70%) é muito utilizado em hospitais e clínicas para a limpeza (assepsia) das mãos e de balcões e utensílios. O álcool de cereais é utilizado em muitos medicamentos para a sua conservação e diluição. O álcool em forma de brandy é utilizado na homeopatia e na medicina floral para a conservação dos medicamentos. Isto para citar alguns exemplos do uso desta substância.

Sua geometria química também auxilia na modelação e materialização (desmaterialização) no plano astral, permitindo que as entidades se utilizem da matéria etérica do álcool para as curas e desinfecções, além de seus efeitos no campo astral na limpeza de miasmas, larvas astrais e outros tipos de concentrações de energias deletérias. Junto com o fogo e com a fumaça (defumação e tabaco) são essenciais na destruição de campos deletérios e de vínculos realizados por feitiçaria.

Ou seja, há uma razão para a utilização do álcool, sob diversos pontos de vista. A pergunta que permanece e gera controvérsia é a ingestão das bebidas alcoólicas pelos médiuns incorporados.

Para começarmos a responder esta pergunta, primeiro temos que observar que nenhum médium ingere bebidas alcoólicas antes de suas incorporações, aliás, devemos nos abster, pelo menos, 24horas antes do início das giras de qualquer bebida alcoólica. Nenhum médium se embriaga, não há a ingestão de bebidas em quantidades exorbitante. Assim, as bebidas alcoólicas ingeridas pelos médiuns já incorporados não é feito para entrarem em um estado de consciência alterado, ou para entrarem em transe, uma vez que se o fizessem com esta finalidade deveriam fazer antes de sua manifestação mediúnica, e não após a mesma. Ou seja, o álcool ingerido serve a outros propósitos que não o da embriaguez, ou para a alteração dos estados de consciência.

“Mas se não tem esta razão por que se deve bebê-lo, e não apenas ter este elemento no ponto, ou no chão?” Alguns podem ainda questionar. Primeiramente devemos recordar que o álcool ingerido tem sua eliminação prioritariamente pelo sistema respiratório, ou seja, pelo pulmão. Quando o álcool é absorvido pelo organismo, a primeira e maior parte do álcool é expelido na nossa respiração, é por isto que o bafômetro pode detectar quem ingeriu e quem não ingeriu álcool e qual a sua quantidade.

Assim quando um médium incorporado toma a bebida alcoólica imediatamente ele começará a ser eliminado pelos pulmões. E o que é que as entidades fazem? Não dão sopros ou baforadas para limpar e ajudar a assistência? Não vão em suas consultas administrar vibrações, passes, e com eles aplicar sopros? É neste momento que o astral irá manipular o álcool para criar as condições necessárias para a limpeza, a materialização ou desmaterialização.

Então a entidade incorporada começa a soprar, dar suas baforadas nos consulentes criando as condições materiais e astrais para a realização da magia da Umbanda, sob o axé e a graça dos Orixás.

Cabe ainda ressaltar a importância do sopro. Em um mito temos que Nanã deu o barro para Obatalá moldar os humanos, este protegido e assistido por Exu moldou e deu forma ao homem e a mulher, mas quem deu a vida, o espírito foi Olorum com o seu sopro. História muito semelhante encontraremos na Bíblia, no livro do Gênesis, em que do barro Deus fez o homem e com o sopro lhe deu a vida. Os alquimistas e muitos cientistas dos séculos passados acreditavam que o sopro era a fonte de vida. Chamava o sopro a essência vital, sem ele não haveria vida. Os pajés em suas curas sempre fazem uso do sopro. As mães e pais quando um filho se afoga, se machuca logo vão assoprar suas crianças para lhe ajudarem. O que queremos dizer é que é pelo sopro que passamos nossa energia vital, nossa vontade, nossas energias curadoras. Com este ato, aliado ao álcool que criará as condições materiais e etéricas para a cura, aliado aos elementais, as energias da natureza, ao ectoplasma dos médiuns e a energia astral dos Guias e dos Orixás é que a Umbanda faz seu trabalho.

Enfim, o álcool é um dos fundamentos da Umbanda e é muito utilizado na magia e nas mirongas, saber o porquê de seu uso, e combater o preconceito quanto a ele, somente engrandece nossa força, e traz respeito aos fundamentos e a maneira de fazer caridade da Umbanda.

Saravá a todos!

P.S. O uso do álcool é feito de forma ponderada, equilibrada e dentro de inúmeros sistemas de controle em uma religião, o seu uso fora deste sistema, não é recomendado, e deve ser evitado

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um perigo que ronda todos os médiuns


Sempre que falamos de mediunidade, como estamos fazendo em nosso site, falamos dos tipos de mediunidade e de como ela se processa. Tratamos de sua definição e de suas particularidades dentro de nossa querida Umbanda. Entretanto é preciso fazer um alerta para a reflexão de todos os médiuns!

Sempre ressalto e tento demonstrar que ser médium não é possuir um dom, ser especial, ser melhor que ninguém. Ser médium é possuir uma faculdade e ao mesmo tempo uma missão, e como toda missão, ela vem acompanhada de muita responsabilidade.

No entanto não podemos confundir essa nossa missão com um mediunismo missionário, ou seja, que somos enviados diretos dos Orixás, escolhidos. Estes tipos de médiuns são, obviamente, raros e a simples presença dessas pessoas nos inspira, nos emociona e nos transforma. Médiuns missionários são aqueles que estão moralmente muito mais equilibrados do que nós, possuem um amor verdadeiro e nato, possuem a verdadeira sabedoria.

Desta forma como entender a nós? Somos médiuns de expiação, médiuns que tiveram a graça de receber a faculdade da mediunidade para expurgar os karmas, uma oportunidade para acelerarmos nossos resgates, uma forma a mais para que possamos nos deparar com espíritos amigos ou com antigos desafetos e, juntos, buscarmos um caminho de luz e de paz. Somos assim pessoas normais, com um mesmo fim: a busca da verdadeira felicidade.

Assim por sermos espíritos endividados, por não sermos criaturas “aladas”, especiais, devemos cuidar muito de nosso desenvolvimento moral. Pois só com muito suor e força de vontade que um dia nos tornaremos médiuns missionários, e assim seremos médiuns melhores, e com certeza mais capazes de fazermos valer a vontade dos Orixás.

Por sermos assim tão normais, é que muitos médiuns se perdem no caminho, começam a vender suas faculdades, percebem que podem manipular as energias, conseguem magnetizar pessoas e objetos e essa sensação de poder faz com que o orgulho cubra os olhos da carne e da alma.

Não são poucas as histórias de médiuns envaidecidos e que acreditam ser um super-homens, e assim estarem acima do bem e do mal e por isso poderem fazer uso de suas faculdades da forma que melhor lhe convierem. Não são poucas as histórias de umbandistas, de pais e mães-de-santo, e outros médiuns de outras religiões, que acabaram perdidos. Tudo porque não conseguiram ter a humildade necessária para a tarefa mediúnica e, assim, caíram no caminho do orgulho.

Diante disto, nossa tarefa emergencial, urgente mesmo, é zelarmos para que possamos controlar e lutar incessantemente contra o nosso orgulho. Uma tarefa difícil, mas possível. E para isso poderemos contar com nossos queridos guias espirituais, basta realmente encararmos nosso orgulho e pedirmos para que ele seja derrotado pela verdadeira e nobre humildade.

O médium orgulhoso acredita que pode mais e melhor que o seu irmão de gira. Acredita sempre que tem razão, que os outros médiuns têm muito o que aprender com ele. Os ensinamentos dos outros sempre estão equivocados, pois não é o mesmo do que o dele, assim como ele é sempre o certo não consegue mais absorver ou reciclar seus conhecimentos. Por isso o médium nesta fase escuta muito pouco, e sempre quer falar muito. Escutar não é necessário, pois ele já sabe. Não permite que a entidade lhe fale, e lhe mostre como fazer, pois sua mente embriagada do orgulho acha que já conhece o caminho. Quando não lhe é dado toda a atenção se zanga, e tem certeza que se trata de uma perseguição, ou então deve ser ciúmes de suas qualidades.

É típico desses médiuns aprenderem receitas, lerem e decorarem pontos riscados, banhos e “ebós para todos os fins” e passam a “receitar” estas simpatias em todo o lugar que andam. Este é um caso mais avançado do orgulho que extrapola as correntes de uma gira.

Diante deste quadro o médium vai se afastando de seus guias, deixando de escutar os verdadeiros emissários dos Orixás, e permite que espíritos menos evoluídos deixem se passar por mensageiros. A mistificação será uma questão de tempo.

Não conheço ninguém que não deva cuidar de sua mente para que não seja corrompido pelo orgulho. Esse mal assombra a todos, mas quem conseguir vencê-lo dará passos decisivos rumo a sua iluminação. Por isso peço que os Orixás enviem seus emissários e mensageiros para nos proteger e iluminar quanto a este mal que nós mesmos criamos e cultivamos que se chama orgulho.

Em especial que os Pretos-Velhos possam nos mostrar com seu exemplo, suas energias e sua sempre simples e profunda conversa, o caminho para a humildade. Saravá ao Pai Tobias de Guiné, que eu possa me espelhar em sua luz, no seu amor e na sua forma de encarar a vida e seus problemas, e logicamente eu possa minimamente absorver a sua humildade tão sincera. Babaê os Pretos-velhos! Babaê o Pai Tobias Guiné.

P.S. Se você leu este texto e o tempo todo pensou em outra pessoa que não você mesma, lei de novo, pois com certeza este texto serve para você. Julgar os outros acreditar que este ou aquele é um médium orgulhoso, é uma clara demonstração do orgulho, pois acha que é capaz de julgar o seu semelhante. Este também é um alerta, cuida de julgar os seus atos, e para os atos dos outros a única coisa que você pode fazer é rezar para que os Orixás os iluminem, e que você agindo de forma humilde seja um exemplo em seu meio.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A busca de nossas raízes


Sempre o homem busca desvendar o futuro. Procura adivinhos, videntes, sortistas, tarólogos e profetas. Quer antecipar os acontecimentos, saber se suas escolhas darão certo, e se fizer isto ou aquilo conseguirá realizar seus sonhos. Entretanto desde o início o ser humano também busca incessantemente suas origens, a origem do mundo, do universo e da alma.

Na tentativa de explicar esses questionamentos muitos povos criaram lendas e mitos para tentar desvendar, ou ao menos apontar certa luz sobre estes questionamentos. Não só a religião o fez assim, mas também muitas correntes filosóficas e muitas teorias de física debruçam anos e vidas de estudo para estas questões.

Toda a religião deve de uma forma ou de outra tratar desta problemática. Assim encontraremos no livro sagrado da Gênesis (Bíblia) alguns apontamentos sobre a questão. Encontraremos no Alcorão, em diversos sutras, em diversas histórias indígenas ameríndias, na mitologia celta, yorubá, bantu, e assim por diante. E a Umbanda como trabalha estas questões?

Para respondermos esta pergunta devemos buscar as origens de nossa religião, buscarmos as raízes que dão a esta árvore frondosa sua sustentação. Inegavelmente teremos que estudar e compreender os mitos africanos, os mitos indígenas e os mitos judaico-cristãos. Além de passarmos a beber da fonte das religiões orientais para tal tarefa.

E perceberemos que muitas histórias e explicações se parecem, tangenciam uma mesma verdade. Desta forma passaremos junto com a explicação e a exposição da mitologia dos Orixás, a trazermos um pouco da explicação da origem de nossas vidas na acepção da Umbanda, estudando e abordando outras religiões.

Esta tarefa não só irá nos trazer luz sobre estes inquietantes questionamentos, mas inevitavelmente irá consolidar nossas raízes trazendo uma razão a nossa fé, trazendo a nossa fé a luz do conhecimento e da sabedoria milenar.

Desta forma iniciamos mais um tópico em capítulos: “a busca de nossas raízes”.

Que os Orixás nos iluminem nesta tarefa. Muito axé e luz a todos. Sarava!