sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mais uma palavra sobre o preconceito


Recentemente escrevi sobre o Preconceito em nosso espaço (Preconceito, orgulho e superioridade).

Mas, em recente consulta com o Sr. Exu Marabô uma pessoa relatava um problema vivido por ele e seu companheiro. Afirmava que pela opção sexual dos dois o seu parceiro encontrava-se muito deprimido. Relatou que ele, o parceiro, não conseguia viver de forma livre com a sua opção sexual, que isto além de o deprimir, fazia com que sua vida estivesse sempre amarrada. Afirmou que o mesmo já tinha tentado, sem sucesso, se matar. Após o relato o Sr. Exu Marabô se volta para a cambone e pergunta:

- “Veja por que sempre falamos que o preconceito é tão nocivo? Se os homens e mulheres deixassem de julgar e de criar a discriminação, o preconceito, este espírito não estaria gastando sua vida tentando agradar os outros, se adequar as normas preconceituosas, e muito menos ficaria pensando em se matar. Estaria ele preocupado em como fazer de sua vida na Terra um momento de ascensão, de luz, de superar suas dificuldades, de encontrar sua fé. Mas, oprimido pelo preconceito ele fica perdido.”

Ao percebermos que são nossas ações julgadoras e excludentes que podem fazer pessoas se afastarem do que realmente importa nas nossas vidas encarnadas: buscar a felicidade abrindo mão do orgulho, do egoísmo, amando e praticando a caridade. Jesus nos deixou uma frase muito sábia, “Ama a teu próximo como a ti mesmo”.

Se concebemos que o amor ao próximo, o amor incondicional é o caminho para a nossa felicidade, para a nossa libertação, como vamos fazê-lo sem minimamente nos aceitarmos, nos conhecemos, nos amarmos? Ajudar as pessoas a se amarem e a se conhecerem, e assim tornar o fardo de nossas encarnações mais leve, é um dever da Umbanda.

O preconceito e a discriminação caminham longe desta trilha. Quando alguém perto de você ou você for emitir um comentário maldoso e preconceituoso, quando for fazer uma piada, pense em como suas palavras e suas energias podem prejudicar e afastar as pessoas atingidas do caminho da luz.

Dominar nossos julgamentos, percebermos que o Espírito é a eternidade e não a forma, e não a aparência, fará com que deixemos de achar que homem e mulher são diferentes, deixar de julgar as opções sexuais, a cor da pele, etc.

Seu Marabô, para finalizar afirmou:

- “Vocês vêem a forma, esta encarnação, nós vemos o espírito, o filho de Deus e dos Orixás, qual é o sexo do espírito? Qual é a cor do espírito? Na essência da criação do espírito como você diferencia estas coisas ligadas a matéria? Se vocês conseguirem ver desta forma nunca mais praticarão a discriminação e o preconceito.”

Sarava a todos, indistintamente. Sarava a Umbanda uma religião libertadora e sem preconceitos!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Divulgação pela Internet


A Internet nos ajuda a divulgar a Umbanda, a estudar a Umbanda, e a debatermos sobre a Umbanda.
Assim, seguindo orientações de pessoas mais sábias nestas questões de Internet, resolvi entra no Twitter, no Facebook, e os filhos de nossa casa estão mantendo uma comunidade no Orkut.

O objetivo é espalharmos nossas opiniões sobre a Umbanda, desmistificando, e lutando pelo reconhecimento e respeito pela nossa amada Religião.

Assim quem gosta da internet e desses canais de divulgação, comunicação, fique a vontade:

www.twitter.com/caetanodeoxossi

www.facebook.com (procurar Caetano de Oxossi)

www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=91852275

Um grande abraço!

Saravá

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Frases que nos inspiram - mais uma


As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações.

As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações.

Se existem alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente nas suas realizações.
(Daisaku Ikeda).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Indicação de Livros – uma abordagem geral

Recebo muitas solicitações para a indicação de livros, assim resolvi publicar aqui alguns tópicos a respeito deste tema. Para começar vou tratar de forma geral o que eu acho das publicações nas estantes de nossas livrarias. Na continuidade tentarei ser mais específico sobre cada livro ou coleção. Fico aberto, desde já, a sugestões e críticas.

A Umbanda hoje se divide em algumas correntes de pensamento. Os livros de Umbanda estarão de uma certa forma vinculados a essas correntes. Assim você encontrará livros da Umbanda esotérica (ou exotérica?) e dentro desta corrente a mais recente denominação de proto-síntese-cósmica (ou escola da síntese). Os dois escritores mais lidos desta corrente são W.W. Matta e Silva e Rivas Netto. Dentro dos livros destes autores encontra-se o primeiro livro que tive e que li sobre Umbanda (em meados de 1987). O título do livro é “Lições de Umbanda (e Quimbanda) nas palavras de um Preto-Velho”, escrito por W.W. Matta e Silva. Este livro foi recentemente reeditado pela Editora Ícone (esta editora em sua grande maioria publica livros da Umbanda esotérica ou da escola da síntese).

Outro autor que tem publicado inúmeros livros sobre Umbanda é Rubens Saraceni que afirma tratar-se da Umbanda Sagrada. A editora Madras é a grande detentora das obras desta corrente doutrinária da Umbanda.

Omolubá também escreveu alguns livros. Este autor está mais inserido em uma Umbanda Tradicional ou de Raiz, mas insere algumas considerações pessoais na doutrina. Entre eles um livro básico é o “Almas e Orixás na Umbanda” e o outro é “Fundamentos de Umbanda”, ambos da editora Cristalis.

Os livros da editora ECO estão sendo reeditados com o mesmo teor de suas publicações originais que datam das décadas de 60 e 70. Na sua imensa maioria trazem uma mistura de Umbanda e Candomblé, e acabam mais por criar mais mistificações do que por elucidar os mistérios da Umbanda.

Livros didáticos ou para-didáticos como das séries “primeiros passos”, “o que é” e “princípios”, entre outros livros afins, em geral são publicações que pecam pela superficialidade e pela obtenção de informação em fontes muito duvidosas.

Um outro autor que publicou alguns livros sobre a Umbanda foi Norberto Peixoto. Livros estes inspirados pelo espírito Ramatis. Entre os seus livros recomendo a leitura de dois "Evolução no Planeta Azul" e "Jardim dos Orixás" ambos da Editora do Conhecimento. São livros de perguntas e respostas. A Editora do Conhecimento publicou recentemente outros livros que tratam da Umbanda, alguns deles resgatando os primeiros livros escritos de nossa fé, como “O Espiritismo, a Magia e as Sete linhas de Umbanda” de Leal de Souza que data de 1933.

Outro autor que psicografa é Robson Pinheiro. Ele já escreveu muitos livros sobre o espiritismo e sobre a Umbanda. Dentre eles um que você não pode deixar de ler é "Tambores de Angola". Este livro foi o primeiro de Robson sobre Umbanda e traz uma visão muito linda sobre a nossa fé. Na sequência deste livro ele publicou o livro Aruanda. Os livros deste autor são publicações da editora Casa dos Espíritos. O livro Tambores de Angola você encontrará na internet grátis o autor o disponibilizou, abrindo mão dos direitos autorais.

Além dos livros de Umbanda existem muitas publicações que elucidam e nos ensinam muito. Por exemplo, se você quiser saber um pouco mais sobre a cultura africana, e as raízes de nossos Orixás não pode deixar de ler livros de Roger Batisde. Deste autor um livro que eu gosto muito, em especial do capítulo que trata de Exu, é “Candomblés da Bahia”. Neste capítulo o autor mostra a origem do preconceito e como Exu deveria receber mais respeito do que vemos por ai.

“Águas de Oxalá”, Mitologia dos Orixás, também são títulos de livros mais voltados para a nação e o Candomblé, mas que possuem conteúdos muito bons, e que vão enriquecer muito o conhecimento sobre Umbanda.

Outros livros de outras religiões:

A coleção de livros psicografados por Chico Xavier de autoria do espírito André Luiz, são um primor. Destaco o livro inicial desta coleção “Nosso Lar”, que se você ler observe bem o momento em que o espírito de André Luiz é resgatado do Umbral, e outro no final do livro.

Outro livro desta coleção que eu gosto de destacar é Libertação, um bom caminho para se entender alguns tipos de obsessão.
Alguns livros do Budismo nos ensinam muito sobre a compaixão, como controlar a mente, e como combater em nós o orgulho, o preconceito e o apego. Por isto quem puder ler são livros de muito conteúdo moral e que nos auxiliam na busca de nossa libertação e iluminação.

Independente da relação de livros aqui expostas, leia de tudo, busque sempre informação, mas sempre tome o cuidado de não aceitar tudo o que lê como verdade, reflita, critique, busque outras fontes e construa a teoria na sua mente, não são poucos os livros que mais mentem, e enganam do que ensinam. Por isso eu sempre falo para meus filhos que devem ler tudo, independente da corrente ou da religião, mas devem fazê-los com um olhar bastante crítico (tem um texto a este respeito no nosso site Livro sobre entidades ). Não é porque está escrito e porque aquele autor se diz Pai ou mãe de santo a 200 anos, que é inspirado pelo espírito X ou direto de Deus, que você vai sair acreditando. Use o seu bom senso e tenha a certeza que é mais válido recusar uma verdade que aceitar dez mentiras.

Mas nunca deixe de pesquisar e aumentar o arcabouço de seus conhecimentos.

Se alguém quiser comentar um livro, indicar ou debater sobre alguma publicação, vamos juntos nesta seara. Fico a disposição.

Saravá e Boa Leitura!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

As festas e homenagens aos Orixás nos Terreiros - Por que fazer?


Algumas vezes por ano em muitos terreiros, e em nossa cabana, encontramos as festas ou homenagens aos Orixás e aos guias. Assim, por exemplo, na gira mais próxima ao dia 20 de janeiro os terreiros vão celebrar o Orixá Oxossi.

Em algumas casas veremos giras especiais, em outras encontraremos apenas uma oferenda. Mas, vou relatar rapidamente como isto se dá em nossa casa. Nestes dias pedimos aos médiuns que cada um traga alguma parte da oferenda. Assim, uns trazem velas, outros frutas, outro traz a fita, as flores, e assim por diante.

A gira acontecerá normalmente, haverá o passe, depois as consultas aos nossos irmãos da assistência. Mas, em um determinado momento uma das entidades chefes da casa pede pontos para o Orixá. Então a entidade chefe risca um ponto coloca alguns dos elementos entregues pelos médiuns (que são dispostos aos pés do peji - do altar), acende as velas, firma o ponto e então todos batem a cabeça para o homenageado.

Na continuidade chamam-se os representantes daquele Orixá, os médiuns incorporam e toda a oferenda é abençoada pelos guias e mensageiros dos Orixás. Depois desta benção todas as frutas e flores e alimentos que não foram utilizados no ponto, que são a maioria das entregas, são ofertadas a todos os presentes. Então todos podem comer um pedaço, levar uma flor para casa, etc.

Bem, mas qual o objetivo disto? Por que os terreiros de Umbanda realizam estas festas ou homenagens?
A Umbanda é uma religião magística, e por esta razão não esconde que manipula os elementos materiais. Sobre este tema postamos um texto que recomendo a todos a leitura “Oferendas e entregas por que fazer”.

Mas, além das razões descritas naquele texto as homenagens dos Orixás nos terreiros serve, também, a outros propósitos. Neste dia em que saudamos um Orixá ou um povo somos compelidos a pensar e a entender um pouco mais do homenageado. Todos os presentes vão beber da fonte deste Orixá ou deste povo. Vão receber a vibração daquele Orixá e mais do que isto vão compreender a existência daquela força divina.

No dia-a-dia dos terreiros muitos consulentes sequer percebem claramente a diferença entre um povo e outro, entre um Orixá e outro. É naquele momento da homenagem ou da festa, que todos compreenderão um pouco mais.
Mas, além disto ao fazermos uma entrega coletiva, reforçamos os laços entre os médiuns, pois juntos estamos saudando um Orixá e pedindo a sua benção para a nossa casa. Juntos batemos a cabeça em um sinal de que todos estamos de acordo em nos submetermos a lei e a vontade divina expressa naquele Orixá.

Os elementos entregues serão manipulados para aumentar a nossa força enquanto comunidade, enquanto terreiro e enquanto médiuns. Todos estaremos ao mesmo tempo imbuídos de saudar e de sentir aquele Orixá homenageado.

Continuando neste círculo virtuoso todos iremos dividir a comida do Orixá, vamos compartilhar as frutas, as flores com nossos irmãos de corrente e com nossos irmão da assistência . O simples ato da partilha nos torna uno, fortalece nossa relação de irmãos e irmãs, e além disto estamos recebendo as bênçãos naquele alimento uma vez que ele foi abençoado pelos nossos guias enchendo-os da força da Umbanda.

Assim nestes dias pare e não esqueça de pedir ao Orixá, de sentir este Orixá e perceber que todos estamos interligados e naquele momento poderemos gozar de uma união e de uma benção especial. Todos os dias podemos e devemos nos sentir assim, mas em dias de festa e homenagem, aproveitemos para mentalizar a união do seu terreiro, que o homenageado fortaleça a corrente e a mediunidade de todos.

Saravá a Umbanda, saravá a todas as festas e homenagens que a Umbanda presta a Deus, aos Orixás, as Formas de apresentação (povos) e a toda a vida.

sábado, 6 de junho de 2009

Integração – uma Lição do Caboclo Mata Virgem



Quando nossa casa (TULAP – Cabana do Pai Tobias de Guiné) completou três anos o Caboclo Mata Virgem disse que a nossa missão para o ano seria entendermos e vivermos a integração com toda a natureza, incluindo a natureza física e astral, espiritual.

Nesta lição o chefe do nosso congá afirmou que todos os seres vivos, encarnados e desencarnados, além de toda a natureza estariam integrados muito mais do que podemos imaginar. Começou dizendo sobre a natureza, o meio ambiente:

A afirmação do aquecimento global, a mudanças climáticas que o mundo todo estava e está vivendo. Se alguém do outro lado do mundo poluir todos aqui, lá e acolá estarão sofrendo as consequências, da mesma forma iniciativas de preservação e recuperação da natureza refletirão de forma positiva em todo o globo.

“A ciência”, dizia o nosso Caboclo de Oxóssi, “está descobrindo e comprovando esta interligação umbilical entre todo o meio ambiente”. Mas esta integração vai muito além do clima, das marés e das correntes de vento. Esta integração é um conceito em que tudo que foi criado por Deus, por meio dos Orixás, são interdependentes, estão conectados e influenciam a vida e a evolução de todos.

Já dizia Buda: “Um homem só será plenamente feliz quando todos os homens forem felizes”. Esta frase demonstra o que o Caboclo Mata Virgem pregou aquele dia. Dizia que quanto mais um espírito evolui mais ele trabalha para o bem dos outros espíritos e pelas outras formas da criação.

Escrevendo este texto recebi a seguinte intuição de nosso Caboclo Mata Virgem:

“Quando vocês recebem dinheiro, ou um prêmio qualquer, não querem dividir ou ajudar suas famílias e amigos mais próximos? Então quando vocês por merecimento e por conquista de seus esforços alcançarem degraus mais elevados da espiritualidade não vão querer ajudar que outros espíritos façam a mesma jornada? Não vão querer que estes espíritos alcancem a luz?
A solidariedade entre vocês tende a crescer, o amor incondicional irá ocupar cada vez mais espaço em seus corações, se assim trabalharem, e então estarão lutando cada vez mais para a iluminação e libertação de seus irmãos.

Mas, esta integração extrapola os seres humanos e seus espíritos, ela deverá alcançar toda a forma de vida, deverá alcançar toda a natureza, as rochas, os rios, a água, os raios de sol, o fogo, o ar e seus ventos, e assim por diante. Se observarmos os grande sábios que já habitaram a Terra descobriremos como interagiram com a natureza.

Exemplos todos vocês já ouviram. Moisés e o Mar Vermelho, São Francisco de Assis e os animais, Jesus Cristo e todos os seus milagres, entre tantos outros.

Por isso a Umbanda vem resgatar esta integração, vem recuperar a sagrada natureza, vem demonstrar a todos que os rios, riachos, cachoeiras, por exemplo, não são recursos naturais para servirem ao homem ao seu bel prazer. São sim espaços sagrados onde Oxum, emanação de Deus-Uno, reina e abençoa. E por isso todos devem respeitar, preservar e jamais poluir. Pois a agressão não é somente ao rio, mas a toda a Terra e assim a toda a vida.

Vocês, brancos, quando dessacralizaram os recursos naturais afirmando que as religiões primitivas eram ignorantes ao as venerarem (os recursos naturais como rios, pedreiras, etc), arrumaram uma grande desculpa para utilizarem da natureza para o acúmulo de suas riquezas e luxos.

Ao não verem um rio como uma emanação de Deus, uma energia divina, permitiram aos seus semelhantes a profanação e o uso indiscriminado, poluindo e destruindo estes sítios sagrados.
Hoje todos voltam suas atenções para isto, todos querem ou deveriam querer, recuperar a sujeira e a destruição causada pelos seus ancestrais. Observem como ainda hoje muitas tribos, muitos povos vivem em harmonia com a natureza. Utilizam os recursos naturais, mas não para acumular riqueza ou ostentação, mas para a sua sobrevivência. Isto é o natural.

Mais e mais pessoas buscam o contato com a natureza para curarem doenças da mente e do corpo. Mais e mais aparecem grupos de pessoas gritando para que parem de poluir. Hoje começamos a entender que se não estivermos integrados a natureza não poderemos ser felizes, sequer poderemos habitar este planeta.

A Umbanda devolve a estes recursos naturais o seu estado de sagrado. Cada umbandista deve e deverá compreender isto e trabalhar por isto, pois sabe que as mirongas e as magias do congá, nada mais são que a manipulação consciente e responsável das energias da natureza.

Das ervas fazemos os banhos, chás e beberagens para curar o corpo astral, mental e físico, das águas sempre procuramos o descarrego e o reequilíbrio, do fogo e da terra almejamos as transmutações de estados deletérios para estados benfazejos. Buscamos nos bosques e nas matas a energia da vida, da virilidade, da esperança. Das rochas, rochedos e pedreiras a força da Terra, o equilíbrio que é tão importante. Pedimos aos ventos que tragam as boas novas, que a brisa traga nova vida e as tempestades destruam nossos erros e vícios. Enfim a todo instante estamos rogando aos Orixás para que permitam a nós, emissários e instrumentos de Deus que façamos uso das energias da natureza para nós, ou para aqueles que precisam da cura e do amor.

Quantas entidades vemos trazendo ao seu lado animais como lobos, águias, panteras, cobras, pássaros, e assim por diante. Demonstrando a ajuda e o auxílio de nossos irmãos animais não humanos dão a toda a Terra e a toda a vida. Não só no astral, mas por toda a Terra encarnada o homem só sobrevive pela ação dos animais e das plantas. Seja pela polinização da abelha e da borboleta, seja pela fotossíntese , seja pela ação da minhoca, dos besouros e moscas que limpam os restos mortais, seja pelo controle da população de outros animais que os predadores o fazem, seja como for somos dependentes da Terra e de toda a sua vida.

Quando adentramos nos sítios da natureza percebemos a energia, a dádiva de cada lugar sagrado. No mar, nas cachoeiras, nas matas, enfim. Sempre buscamos nosso equilíbrio e nossas forças nestes lugares. A integração não é novidade, mas é ensinamento muitas vezes esquecido e desprezado.

Sentir-se parte do todo nos dá a grandeza da Criação, nos faz refletir sobre o nosso papel e assim nos torna humildes servos de Deus e dos Orixás. Amar a todas as criaturas, amar a toda forma de vida por mais insignificante que seja, amar a rocha, a terra, o fogo, os minerais, fará de cada um de nós seres mais plenos e mais pertos dos Orixás e assim de Deus.

Qual a diferença entre um homem e uma formiga? Qual a diferença do homem e de um bambu? Não são feitos de átomos iguais? A matéria é a mesma e isto sempre esteve presente nas suas ciências, mas somente agora vocês começaram a entender quão iguais são.

A genética demonstra que a diferença entre um homem e uma galinha nada mais é do que uma pequena porcentagem do seu DNA. Será que isto já não é prova o bastante para compreendermos tudo como uma grande família?
Ama a Deus sobre todas as coisas, diz um texto sagrado. Se você ama o Criador pode destruir a sua criação?

Compreender esta integração, e mais do que isto sentir-se integrado a tudo dará a mente de cada um a verdadeira Umbanda e a missão de todos nós. Dará a mais clara e inequívoca certeza de que devemos amar ativamente tudo e todos, e só assim poderemos trilhar nosso caminho rumo a verdadeira e duradoura felicidade!

Interajam com a natureza, interajam com seus semelhantes e com outros animais, sintam a Terra, sintam a vida, pois são parte integrante dela. Isto dará a todos você equilíbrio e paz. Esta integração não se faz sem amor, sem respeito e sem humildade.

Que a Paz de Deus, de Cristo e dos Orixás cubram cada um de vocês, e que possamos nos sentir cada vez mais partes do Todo, nos interligarmos cada vez mais a tudo e a todos. Saravá”.

Caboclo Mata Virgem, 01 de junho de 2009. O relato intuído de nosso mestre Caboclo nos traz a grandeza da criação e de como nos afastamos da vida natural. A Umbanda sem dúvida nenhuma nos dá exemplos diários da importância desta integração. A começar por suas entidades, que são das diversas etnias, raças humanas.

Se percebermos nossa história de civilização foi uma sequência de ações para nos afastar da natureza, de só utilizar a natureza para uso de nossa espécie e para as nossas riquezas, independente dos danos a outras formas de vida.

Com isto nos distanciamos da simplicidade da vida natural que hoje todos almejamos. Para termos uma idéia desta distância é só lembrarmos dos acontecimentos não tão distantes como o Tsunami. Nesta onda gigantesca que matou inúmeras pessoas e devastou a costa do país asiático, um dia antes, os animais demonstraram inquietação nunca vista. Alguns animais do zoológico da região chegaram a quebrar paredes e a fugir, como os elefantes, outros se esconderam nas tocas e nas construções. Os animais soltos migraram para terras mais altas. Ou seja, sentiam a Terra, conversavam com a Mãe Natureza, e percebendo o fenômeno Tsunami buscaram salvar a si a aos seus. Por que os animais humanos não perceberam isto?

A mesma história se repete em outras situações como o recente terremoto da China. No santuário dos Ursos Panda, inúmeros animais ficaram agitados e querendo fugir dias antes do grande terremoto que infelizmente quase destruiu o santuário Panda.

Estes exemplos demonstram como temos que aprender a respeitar e a entender os animais, com amor e não com violência. E como que integrados a tudo aprenderemos a conhecer melhor a nós mesmos e assim quem sabe crescermos espiritualmente.

Bons exercícios de integração, e interligação a Terra, e acima de tudo bons exercícios de amor para a Terra e para toda a sua forma de vida, e para toda a forma inanimada do planeta.

Saravá a Umbanda, saravá os Orixás, saravá a Natureza e a Terra.


Dia 05 de junho de 2009, dia mundial do Meio Ambiente.