segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ciganos e o amor a vida- Reflexão sobre a encarnação


Entre as qualidades e especialidades de trabalho dos ciganos temos o valor que dão a vida, a vida encarnada e como eles nos ensinam a compreender esta nossa existência na carne e como tirarmos o melhor proveito disto. (já escrevi a este respeito “Ciganos da Umbanda”)

Neste sentido tem uma analogia que o Cigano Carlo, cigano chefe da tribo da Cabana do Pai Tobias de Guiné, uma vez mencionou, e que eu sempre reflito sobre ela e quando posso passo adiante, que apesar de não ser nova, ele (cigano Carlo) deu nova vida a esta estória.
Pensemos em uma divisão simples, não correta, mas ilustrativa sobre nós encarnados. Temos um corpo físico e temos nosso espírito. Guarde esta afirmação e esta divisão simplificada entre o corpo físico e a alma ou espírito.

Pense agora em uma mão vestida de uma luva. Se enxergássemos somente esta parte do corpo e ela estivesse inerte não poderíamos afirmar se a luva estava em uma mão ou não. Somente podemos afirmar isto quando ela está em movimento. Porque sabemos que quem move, quem atua é a mão e não a luva. Entretanto só vemos a luva.

Nós somos assim, apesar de apenas enxergarmos a luva, isto é o corpo físico, este sem o espírito seria um monte de matéria orgânica inanimada. O corpo só atua e só trabalha, se mexe, pensa, etc. porque o espírito, a alma, está no corpo.

Esta é a analogia que muitos de nós já ouvimos, e por si só demonstra como nosso espírito é o importante, e o nosso corpo apenas uma roupa, uma morada passageira. Esta analogia faz com que observemos a transitoriedade da vida, e como a morte carnal é apenas uma etapa da vida, e não um fim verdadeiro, mas a passagem de um ciclo, de uma etapa para a outra.

Certa vez uma pessoa questionou ao Cigano Carlo sobre a vida na Terra, dizia estar muito triste com esta vida e não queria mais estar encarnada e não via propósito nisto. Ele então falou sobre a analogia da luva e da mão. Quando a consulente ia concordar informando que por isto não via razão da encarnação ele perguntou:

“Se eu te der um cabo áspero, cheio de nós e de imperfeições, com farpas e peça para você segurar com toda a força, por mais que você tenha boa vontade e segure sua mão ficará muito machucada e segurará este cabo por muito pouco tempo, não realizando a tarefa que lhe pedi e ainda assim estaria gravemente ferida na palma da mão e por algum tempo não poderia trabalhar não é verdade?”

A consulente responde que sim, estaria machucada ainda mais porque suas mão eram finas e sensíveis. Em seguida o querido Cigano afirmou: “e se eu te desse uma luva grossa você não acha que apesar de ainda sofrer seguraria por muito mais tempo, e com certeza sua mão não estaria muito menos machucada?”

A resposta obviamente foi afirmativa. Para que serve a luva? Para que a mão possa passar por provas, por tarefas mais pesadas e que sem as luvas seria quase impossível, e seria muito mais doloroso e improdutivo.

Sem a encarnação, sem a oportunidade de estarmos em corpos físicos seria praticamente impossível enfrentarmos certas dívidas e certos credores. Seria difícil ou extremamente penoso nos deparamos com inimigos, com desafetos e com situações que erramos diversas vezes. A dádiva da encarnação faz com que nossos espíritos revivam provas sem o trauma da decepção e do fracasso. Faz com que nos deparemos com inimigos em forma de pais, de filhos ou de irmãos para que possamos aprender a perdoar e a amar.

Sem esta dádiva da luva, isto é do corpo físico, não poderíamos cumprir tantas tarefas.
Esta é a graça divina de emprestar para cada um de nós uma luva para que nossa mão trabalhe mais, com menos dor e de forma mais produtiva. Valorizemos a luva, como o trabalhador a valoriza, mas não esqueçamos que quem a move é a mão. Cuidem do corpo para que ele permita que a suas almas trabalhem mais livremente.

Valorizar a vida encarnada não é o mesmo que ter apego a ela, e sim dar graças e aproveitar ao máximo a possibilidade de trabalharmos com esta “proteção” que é o corpo físico.

Saravá a todos os ciganos que nos ensinam a amar a vida, a aroveitá-la e a dividirmos nossas vidas com todos os seres. Obrigado Cigano Carlo por esta maravilhosa lição, e que cada um de nós aproveite a encarnação com muito amor e caridade para com toda a natureza.

Salve os ciganos e as ciganas da Umbanda

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Índio – a força do tronco tupi-guarani na Umbanda


Em muitas pesquisas sobre a Umbanda, quando queremos nos aprofundar nas bases de nossa religião vamos em busca das suas raízes, das filosofias, concepções de mundo e de Deus, do arcabouço magístico, religioso da qual a Umbanda se originou.

É como aquela entrevista que se faz para uma nova banda de música: “quais são as influências dessa banda?” Ou seja, quais são as teorias, as inspirações que deram origem a este novo agrupamento.

Na Umbanda uma influência, uma base que não pode ser desprezada e deve cada vez mais ser enaltecida é a força dos indígenas, dos nativos de nossa terra Brasil. A pajelança, a religião dos índios brasileiros, sejam eles pataxós, xetás, guaranis, kaigangs, suiá, txukarramãe, juruna, caiabi, xipáia (extintos), kamaiurá, kuikúru, kalapalo, waurá, iaualapiti, mawés, xoklengs, tembés, kaiapós, yanomamis, entre outros inúmeros povos que habitam o nosso Brasil, que fazem da Umbanda a religião que é.

Geralmente quando falamos de índios, ou de indígenas, pensamos imediatamente nos caboclos, afinal apesar do nome caboclo, estes espíritos, que são emissários dos Orixás, se apresentam como índios das mais diversas tribos. Logicamente a influência indígena na Umbanda fica extremamente aparente e é a mais visível de todas: a manifestação dos caboclos.

Para a nossa linha de Umbanda quando vamos realizar a feitura de um dirigente (Pai de Santo) ou de uma dirigente (Mãe de Santo) precisamos saber quem é o responsável pela coroa daquele médium, quem será a entidade que representa o Orixá ancestral (pai ou mãe de cabeça). E sempre, seja ele de qual Orixá for, será um caboclo ou uma cabocla, ou seja, será um indígena.

Sei que em algumas correntes de Umbanda pode ocorrer um Preto ou Preta ou mesmo uma criança, mas, na nossa forma, sempre será um indígena. Seja ele ou ela filho de Yemanjá, de Ogum, de Oxalá, de Oxum, terá como pai ou mãe de sua cabeça um representante deste Orixá na forma de apresentação de um caboclo.

Os Pretos-velhos são para nós administradores da Umbanda, senhores da religião, atuam de forma horizontal estendendo sua ação em todos os raios, assim o fato de não serem pai ou mãe de cabeça em nada desabonam sua atuação. Cada forma de apresentação tem suas funções/missões e são interdependentes, existindo harmonia em suas ações.

Só por isto podemos perceber a força dos indígenas em nossa religião. Mas, muitas são as outras influências, como as ervas que usamos para banhos, chás, defumações. Estas são, em sua maioria, nativas do Brasil . Para citar algumas: araçá, ipê, beldroega, jabuticaba, carqueja, pata-de-vaca, quebra-pedra, pitangueira. Quem revelou aos negros o uso medicinal e o seus poderes espirituais foram os indígenas.

Muitas curas na Umbanda se dão em cerimônias e em práticas que muito se parecem (se de fato não o são) com as rezas e manipulações das forças da natureza realizadas pelos pajés de nossos ancestrais brasileiros.

A forma como as entidades, em especial os caboclos, fazem uso de tabaco é baseado na experiência mais que milenar destes povos nativos das Américas, os índios. Espíritos que conhecem a terra, as ervas, os rios, os animais, os ventos, os ruídos e as energias de nosso Brasil vem se apresentar na forma de caboclos para nos ensinar esta magia, nos ensinar como utilizá-la para o bem e para o amor.

A relação que os índios, em sua maioria, têm com a natureza, entendendo que cada animal, que cada erva, cada árvore, cada leito de rio, cada espaço da natureza é zelado pelos ancestrais e por seres especializados nestes espaços é muito do que a Umbanda entende por seres elementares e energias elementares. O respeito e a devoção pelas forças da natureza, a crença que por detrás de cada uma dessas belezas e forças naturais existe a presença de uma divindade, de uma força divina é uma compreensão que também temos.

Enfim, aprofundar nosso conhecimento sobre os índios só nos ajudará a decifrar práticas ritualísticas e magísitcas, algumas que já realizamos, nos ajudará a compreender melhor o que é a Umbanda, quem somos nós, e acima de tudo conhecermos mais a natureza de nosso país e de nossa região.

Saravá a todas as tribos indígenas, saravá aos nossos queridos mentores e emissários dos Orixás, os Caboclos da Umbanda, que continuem a zelar por nossos espíritos e a nos ensinar tanto. Obrigado ao caboclo Mata Virgem, representante de Oxóssi em minha coroa, meu mestre, meu pai, meu cacique, meu pajé,...


PS. Para que cada um dos que estão lendo este texto faço uma pergunta: das poucas tribos que enumerei no início do texto quantas você conhecia? O que sabe delas? Quais são a de sua região, de seu Estado? Nossas escolas nos ensinam muito pouco sobre os índios do Brasil, pouco sabemos de sua cultura, de sua língua, de seus costumes e crenças, vamos buscar modificar isto com a ajuda dos Orixás. Tentarei buscar sempre informações, mitos e histórias dos índios e postar para que possamos dividir a sabedoria destes povos.

PS2. No Paraná existem hoje aproximadamente 10.300 índios divididos entre kaigangs, e guaranis (M'byá e Nhandéwa) e pouquíssimos xetás.

PS3. Postei um texto introdutório sobre os indígenas retirado do site da FUNAI, para quem quiser aprofundar o tema "Um pouco sobre os indígenas brasileiros – texto do site www.funai.gov.br"

Um pouco sobre os indígenas brasileiros – texto do site www.funai.gov.br



Coloquei este texto em nosso site para que possamos começar a conhecer e a entender uma das culturas que mais influenciam nossa fé e nossa religião. Conhecer um pouco mais sobre os indígenas é conhecer um pouco mais sobre os caboclos de nossa Umbanda.

O seguinte texto foi extraído do site da FUNAI – Fundação Nacional do Índio (www.funai.gov.br), e é uma introdução que todos devemos saber.

"FUNAI - Fundação Nacional do Índio

O ÍNDIO HOJE

Hoje, no Brasil, vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem cerca de 0,25% da população brasileira. Cabe esclarecer que este dado populacional considera tão-somente aqueles indígenas que vivem em aldeias, havendo estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também 63 referências de índios ainda não-contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista.


O que é ser índio

Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica, provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haverem chegado às Índias.

Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as diferenças lingüístico-culturais. Era mais fácil tornar os nativos todos iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: o domínio político, econômico e religioso.

Se no Período Colonial era assim, ao longo dos tempos, definir quem era índio ou não constituiu sempre uma questão legal. Desde a independência em relação às metrópoles européias, vários países americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos índios e foram criadas instituições oficiais para cuidar dos assuntos a eles relacionados.

Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática indígena. Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II Congresso Indigenista Interamericano, no Peru, em 1949, para assim definir, no texto "Culturas e línguas indígenas do Brasil", o indígena como: "(...) aquela parcela da população brasileira que apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira, motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. Ou, ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população brasileira com quem está em contato".

Uma definição muito semelhante foi adotada pelo Estatuto do Índio (Lei nº. 6.001, de 19.12.1973), que norteou as relações do Estado brasileiro com as populações indígenas até a promulgação da Constituição de 1988.

Em suma, um grupo de pessoas pode ser considerado indígena ou não se estas pessoas se considerarem indígenas, ou se assim forem consideradas pela população que as cerca. Mesmo sendo o critério mais utilizado, ele tem sido colocado em discussão, já que muitas vezes são interesses de ordem política que levam à adoção de tal definição, da mesma forma que acontecia há 500 anos.


Identidade e diversidade

As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada. O preconceito parte, muito mais, daqueles que convivem diretamente com os índios: as populações rurais.

Dominadas política, ideológica e economicamente por elites municipais com fortes interesses nas terras dos índios e em seus recursos ambientais, tais como madeira e minérios, muitas vezes as populações rurais necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de sociedades indígenas que aí vivem. Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de "ladrões", "traiçoeiros", "preguiçosos" e "beberrões", enfim, de tudo que possa desqualificá-los. Procuram justificar, desta forma, todo tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios.

Já a população urbana, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem favorável, embora os veja como algo muito remoto. Os índios são considerados a partir de um conjunto de imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são os donos da terra e seus primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la. São também vistos como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como provam os dados, nas três últimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena.

Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em geral. Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um interesse em saber, afinal, quem são eles.

Qualquer grupo social humano elabora e constitui um universo completo de conhecimentos integrados, com fortes ligações com o meio em que vive e se desenvolve. Entendendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá às experiências por ela vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em contínuo processo de transformação.

O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lingüística, estando entre as maiores do mundo. São 215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sobre os quais ainda não há informações objetivas. 180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais pertencem a mais de 30 famílias lingüísticas diferentes.

No entanto, é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, como a cultura de qualquer outra sociedade humana. E é preciso considerar que isto aconteceria mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem européia e africana.

No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.

A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as sociedades indígenas e as não-indígenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas sociedades indígenas que vivem no Brasil. Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades socioculturais diferentes e à necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriétnico, como é o caso do Brasil.

É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica específica de cada uma das sociedades indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais. Isto significa o respeito pelos direitos coletivos especiais de cada uma delas e a busca do convívio pacífico, por meio de um intercâmbio cultural, com as diferentes etnias.



As línguas indígenas

A língua é o meio básico de organização da experiência e do conhecimento humanos. Quando falamos em língua, falamos também da cultura e da história de um povo. Por meio da língua, podemos conhecer todo um universo cultural, ou seja, o conjunto de respostas que um povo dá às experiências por ele vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo.

Há várias maneiras de se classificar as línguas. Os lingüistas atuais consideram como mais apropriada a classificação do tipo genético. Eles só recorrem a outros tipos de classificação quando não há dados suficientes para realizar a classificação por meio do critério genético.

Na classificação genética, reúnem-se numa mesma classe as línguas que tenham tido origem comum numa outra língua mais antiga, já extinta. Desta forma, as línguas faladas pelos diversos povos da Terra são agrupadas em famílias lingüísticas, e estas famílias são reunidas em troncos lingüísticos, sempre buscando a origem comum numa língua anterior.

Embora o português seja a língua oficial no Brasil, deve haver por volta de outras 200 línguas faladas regularmente por segmentos da população. Um exemplo são os descendentes de imigrantes italianos, japoneses etc., que em determinados contextos falam a língua materna.

Ainda hoje, muitos índios falam unicamente sua língua, desconhecendo o português. Outros tantos falam o português como sua segunda língua. O lingüista brasileiro Aryon Dall'Igna Rodrigues estabeleceu uma classificação das línguas indígenas faladas no Brasil, sendo esta a mais utilizada pela comunidade científica que se dedica aos estudos pertinentes às populações indígenas.

As línguas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak. Há Famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru.

Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como a língua falada pelos Tükúna, a língua dos Trumái, a dos Irântxe etc.

Ainda existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da língua Timbira.

Há sociedades indígenas que, por viverem em contato com a sociedade brasileira há muito tempo, acabaram por perder sua língua original e por falar somente o português. De algumas dessas línguas não mais faladas ficaram registros de grupos de vocábulos e informações esparsas, que nem sempre permitem aos lingüistas suficiente conhecimento para classificá-las em alguma família. De algumas outras línguas, não ficaram nem resquícios.

Estima-se que cerca de 1.300 línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos. Hoje são 180, número que exclui aquelas faladas pelos índios isolados, uma vez que eles não estão em contato com a sociedade brasileira e suas línguas ainda não puderam ser estudadas e conhecidas.

Ressalte-se que o fato de duas sociedades indígenas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente. Um exemplo disso se dá entre o português e o francês: ambas são línguas românicas ou neolatinas, mas os falantes das duas línguas não se entendem, apesar das muitas semelhanças lingüísticas existentes entre ambas.

É importante lembrar que o desaparecimento de tantas línguas representa uma enorme perda para a humanidade, pois cada uma delas expressa todo um universo cultural, uma vasta gama de conhecimentos, uma forma única de se encarar a vida e o mundo.



Índios isolados

Alguns povos indígenas, desde a época do Descobrimento, mantiveram-se afastados de todas as transformações ocorridas no País. Eles mantêm as tradições culturais de seus antepassados e sobrevivem da caça, pesca, coleta e agricultura incipiente, isolados do convívio com a sociedade nacional e com outros grupos indígenas.

Os índios isolados defendem bravamente seu território e, quando não podem mais sustentar o enfrentamento com os invasores de seus domínios, recuam para regiões mais distantes, na esperança de lograrem sobreviver escondendo-se para sempre.

Pouca ou nenhuma informação se tem sobre eles e, por isso, sua língua é desconhecida. Entretanto, sabe-se que alguns fatores são fundamentais para possibilitar a existência futura desses grupos. Entre eles, a demarcação das terras onde vivem e a proteção ao meio ambiente, de forma a garantir sua sobrevivência física e cultural.

No processo de ocupação dos espaços amazônicos, o conhecimento e o dimensionamento das regiões habitadas por índios isolados são fundamentais para que se possa evitar o confronto e a destruição desses grupos.

Há na FUNAI, desde 1987, uma unidade destinada a tratar da localização e proteção dos índios isolados, cuja atuação se dá por meio de sete equipes, denominadas Frentes de Contato, atuando nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Goiás. "

Saravá aos caboclos de toda a nossa Umbanda.!!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

União, tolerância e perseverança, um novo caminho para a Umbanda no Paraná



Quem me conhece há mais tempo sabe que sempre tive muitas preocupações quando o assunto eram as federações da Umbanda. Diferente de outras religiões a Umbanda prega que cada casa, cada templo, tenha sua autonomia e sua maneira própria de conduzir seus ritos e seus ensinamentos. E isto é o que torna a Umbanda tão singular: a sua pluralidade.


Mas, então por que muitos afirmam que este ou aquele templo não é Umbanda, quando se deparam diante de casa que pregam o mal, a exploração financeira e outras formas na condução de suas casas?


E as perseguições sociais, as falsas e equivocadas interpretações sobre a Umbanda, a propagação de rituais de baixa magia nos meios de comunicação que muitas vezes afirmam tratarem-se de Umbanda, entre outras situações que nos deparamos no dia-a-dia trazem para nós uma pergunta: como defendermos a Umbanda? Como demonstrarmos a sociedade que a Umbanda é uma religião, é uma religião que prega e pratica o amor e a caridade?


Refletindo sobre estas questões, e acima de tudo orientado pelo Caboclo Mata Virgem, tomei a decisão de fazer parte da refundação e revitalização da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná. Um grupo de terreiros, e de seus filhos, resolveu criar uma associação que defendesse a Umbanda, que divulgasse a Umbanda tal como ela foi criada: “A manifestação do espírito para a caridade”.


Nesta união de tendas, de dirigentes e de médiuns saiu uma nova associação, mas aproveitando uma antiga agremiação a FUEP. Desde 1968 este ente existe e em sua história já passou por momentos importantes na defesa dos interesses dos umbandistas do Estado do Paraná, e agora na sua refundação recebe novas atribuições, novos objetivos, e acima de tudo uma nova missão.
Prevê o artigo 3º do Estatuto da FUEP:



“ARTIGO 3º - A FUEP tem por finalidades:


I – Congregar e representar os Templos Religiosos Umbandistas (Associações, Cabanas, Centros, Tendas, Terreiros e demais denominações), seus médiuns e freqüentadores, associados nos termos do presente Estatuto, com os princípios Éticos, Filosóficos, Doutrinários e Religiosos, promovendo a mais estreita harmonia e fraternidade, e respeitando a diversidade das formas de culto, ressalvados os seguintes princípios gerais:

· Não realizar em hipótese alguma o sacrifício ritualístico de animais, nem utilizar quaisquer elementos destes em ritos, oferendas ou trabalhos.

· Não cobrar pelas consultas, atendimentos e trabalhos, a Umbanda é caridade;· Respeitar o livre-arbítrio das criaturas;

· Não realizar qualquer ação que implique em malefício ou prejuízo a alguém;

· Preservar e respeitar a natureza do planeta;

II – Sugerir, promover, coordenar e executar ações, projetos e programas relacionados com o desenvolvimento social, cultural e educacional, e preservação do meio-ambiente, não só para os Umbandistas, mas para o conjunto da população brasileira;

III – Resgatar, reunir e preservar a documentação sobre a história da Umbanda, a vida e as obras de influentes Umbandistas do Estado do Paraná;

IV – Constituir centro de pesquisa, estudos, desenvolvimento e difusão da Umbanda;

V – Promover e organizar eventos comemorativos, exposições, festivais, mostras, cursos e concursos Umbandistas;

VI – Promover viagens de estudo, pesquisa e intercâmbio com outras entidades congêneres ou não;

VII – Apoiar e estimular a preservação de valores culturais, sociais, étnicos e religiosos representativos do povo brasileiro, por meio da criação, produção e execução de programas e a utilização de quaisquer veículos de divulgação, adequados à difusão dessas manifestações;

VIII – Desenvolver atividades de assistência médica, dentária, hospitalar e farmacêutica, destinadas ao atendimento dos associados e das comunidades carentes, através de dotações orçamentárias ou doações específicas ou outras formas de financiamento;

IX – Criar centros educacionais de natureza assistencial, destinados à formação de crianças, jovens e adultos, em nível básico e profissionalizante;

X – Manter um Departamento Jurídico para a defesa dos interesses dos filiados, principalmente no tocante à obtenção e implantação de benefícios legais aos Templos Umbandistas, reconhecimento legal dos Pais e Mães-de-Santo no tocante à Evangelização, validação da contagem de tempo para aposentadoria e contra a discriminação de qualquer espécie sofrida por qualquer pessoa;

XI – Prestar assistência e conforto espiritual a todos que necessitem, de forma inteiramente gratuita, por intermédio dos Templos Umbandistas filiados.

XII – Associar-se a outras Entidades congêneres.”


Diante destes objetivos, destas finalidades e da intenção dos participantes percebi que meu temor deveria dar lugar a luta, minhas restrições deveriam ceder a liberdade de culto e de fé, que mais uma vez os Orixás colocavam diante de nós a possibilidade de nos integrarmos, nos unirmos em nome da Paz e do Amor.


Assim, saravá a esta iniciativa, que possamos respeitar as diferenças. Respeitar estas diferenças entendendo-as dentro de um rol de princípios que não podem ser deixados de lado sob a pena de não querermos defender uma causa e sim querermos criar espaços políticos, e é justamente isto que a FUEP não quer. A FUEP corajosamente aprovou o estatuto, corajosamente demonstrou o que queremos para a Umbanda.


Nossa casa agora é membro desta Federação, e por vontade dos demais irmãos estamos na Diretoria Executiva da Federação, o que nos traz responsabilidade e trabalho. Se quiserem associar sua casa a FUEP, se você quer se associar a esta nova idéia acompanhe nosso site e em breve haverá um link para a FUEP.


Saravá a força da união, a força da Umbanda.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Desejos, sonhos e visualizações



Desde pequenos somos compelidos por nossa sociedade, e muitas vezes por nossos pais e familiares, a sermos vencedores. Nossa sociedade é calcada na busca de sucessos, de indivíduos que vencem na vida. Nossas histórias são recheadas de personagens com este perfil: de homens e mulheres que batalharam uma vida para conseguirem vencer.
Mas, que mal há em vencer na vida? Mas por que abordarmos este tema?

Quando falamos dessa pressão e dessa cobrança da sociedade para o sucesso falamos de sucesso profissional, quando falamos vencer na vida, falamos de enriquecer, de ter empresas, de ser “alguém”, tendo um cargo ou uma posição social melhor.

Será que é este o objetivo de nossas vidas na Terra dos encarnados? Será que o mais importante para nós é realmente sermos “alguém” no mundo comercial?

Para entendermos melhor o que quero dizer, comecemos por nos questionarmos quanto tempo dedicamos de nossas vidas na nossa formação profissional? Quanto tempo de nossos sonhos e devaneios sobre o futuro usamos para almejarmos posições sociais, salários maiores, melhores postos de trabalho? E quanto tempo de nossos sonhos “gastamos” para imaginarmos quão melhores podemos ser, melhores, digo menos vaidosos, menos egoístas, menos orgulhosos, mais cheios de amor, livres de preconceitos e comprometidos com a caridade?

Quando nos perguntam os objetivos de nossas vidas, nossas mentes imediatamente respondem sobre as questões materiais, mas será que é essa a função da reencarnação? É isto que levaremos desta reencarnação?

Com todas estas perguntas quero convidar a todos a uma reflexão sobre as nossas vidas, para pararmos e observarmos como dedicamos nosso suor, nosso tempo, nossas vidas para construirmos nossa vida material, e compararmos isto a quanto nos dedicamos a construção de nossa evolução espiritual.

Com isto não quero dizer que não devamos buscar melhorias em nossas vidas materiais, que não devamos estudar, buscar melhores postos de trabalho ou coisas semelhantes. O que quero dizer é que está na hora de dedicarmos um pouco mais de tempo, de suor, de nossos sonhos, desejos e vontades para nossa evolução espiritual, e que quando alguém nos perguntar sobre o que almejamos para a nossa vida, a nossa missão possamos pelo menos pensar em nossa iluminação espiritual. Afinal como disse Jesus Cristo, o meu reino não é deste mundo, ou seja nossa morada verdadeira e permanente não é a carne e sim o espírito.

Saravá, muitas horas de trabalho e muitas horas de busca espiritual.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Umbanda – Trabalhos de Praia – por que fazer?


Muitas vezes nos deparamos no litoral brasileiro com giras a beira-mar. Em algumas épocas isto é certo, como o dia 02 de fevereiro. Outras tendas e terreiros escolhem meses e dias fora da alta temporada para fazerem suas giras de praia, ou como alguns preferem mencionar suas homenagens à mãe Yemanjá.

Também não foram poucas as vezes que recebi de filhos de nosso terreiro, de amigos e de interessados a pergunta: Por que fazer essas giras nas praias?

Eu poderia adicionar a esta pergunta mais um elemento, por que fazer giras nos sítios da natureza? Seja na praia, no mato, perto de um rio, de uma cachoeira, etc.

Nossos corpos são constituídos de plexos, centros de terminações nervosas onde se encontram os centros de energia, canais de energia que chamamos chakras. Toda semana tomamos nossos banhos de imantação e descarrego, acendemos nossa vela para o Anjo da Guarda, etc.. Nas giras chamamos os emissários dos Orixás, pedimos aos Orixás, e assim a Deus, que permita que as crianças possam manipular os seres elementares bem como as energias elementais, para a magia da Umbanda se processe em nossos terreiros (crianças e as energias da natureza leia www.paitobias.com/modules.php?name=news&file=article&sid=37.)
Ou seja, sempre estamos usando nosso aparelho mediúnico, nosso corpo, e assim nosso ectoplasma em associação às energias elementais. A Umbanda é a integração de todos os sítios da natureza, dos homens, encarnados e desencarnados, e das energias e seres do astral.

Antigamente acabava a gira os filhos dos terreiros imediatamente estavam em contato com a natureza. Iam banhar-se em um rio, descansar sob a sombra de uma frondosa árvore, se refrescar em uma cachoeira, ou então dar um passeio a beira-mar.

As cidades foram crescendo, a natureza perdendo seu espaço a ponto de ficar distante do homem, pois tudo que era próximo e é próximo do animal humano corre o risco de se deteriorar. Assim, os terreiros nascidos e criados para atender o homem vêm gradualmente ficando mais longe da natureza intacta.

Além deste fato, nos banhos semanais não lavamos a cabeça, uma vez que para nossa raiz de Umbanda o chakra coronário só pode ser lavado pelo Pai-de-Santo ou por entidades incorporadas nele. Usamos nosso ectoplasma todo dia, em especial durante as giras. Entramos em contato com energias deletérias, nos confrontamos com irmãos ainda afeitos ao mal, tudo em nome de Deus e dos Orixás para que possamos de alguma forma sermos instrumentos para a ação caridosa dos guias da Umbanda.

Em algum momento é necessário buscarmos a natureza para que possamos receber proteção e força das energias emanadas dos sítios dos Orixás. Nos reintegrarmos ao TODO, e neste momento recebermos de nossos dirigentes a oportunidade de recebermos as águas de nossas Yabas em nossas coroas, é uma das razões para os trabalhos de praia.

O aparelho mediúnico é um aparelho sensível e deve sempre procurar se equilibrar, é uma necessidade de todos os médiuns o contato com a natureza. Este contato, seja ela uma árvore, seja uma praia ou um rio deveria ser uma prática cotidiana de nós médiuns. E devemos nos lembrar que somos todos integrados, interdependentes.

Assim de tempos em tempos os terreiros se organizam e vão celebrar a natureza, a vida, junto aos sítios dos Orixás. E assim de forma coletiva, vamos entrar em contato com as energias elementais, homenagear a senhora de todos os Orixás, celebrar a maternidade divina e permitir que nossos corpos recebam as energias elementais e assim nos reequilibrar, nos fortaleçer.

Além disto, é a oportunidade de fazermos uma oferenda coletiva, fortalecendo a união dos médiuns de uma casa, fortalecendo a nossa relação com os Orixás, pois fornecemos elementos para que os emissários dos Orixás manipulem e nos devolvam em forma de bênçãos, proteção, cura e fortalecimento.

Um contato tão direto com os espíritos elementares nos ajuda a manipular essas energias quando em nossos trabalhos nos terreiros, nos ensinam a buscar a natureza com mais propriedade e mais intensidade. Nos ajuda, o trabalho de praia, a compreendermos as energias de Yemanjá, os elementais e assim facilitarão muitos trabalhos futuros em nossas casas de caridade.

Ou seja, nos integrarmos aos sítios da natureza, nos unirmos cada vez mais, homenagearmos essa grande força divina que chamamos Yemanjá, lavarmos nossas coroas, reequilibrarmos nossos corpos, aprendermos a manipular as energias, nos relacionarmos com os elementais, são algumas das razões e da necessidade dos Terreiros de Umbanda realizarem os trabalhos de praia.

E como tudo na Umbanda fazemos isso com alegria, em forma de festa, um exercício de fé, de união e de amor aos Orixás. Saravá a todos os templos, saravá a nossa Mãe Yemanjá, e não esqueça da próxima vez que sua casa fizer o trabalho de praia observar estas pequenas anotações.

Odoiá Yemanjá